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Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Chuva


Olá... o título do meu blog, como todos sabem, é Nasci para ser mãe não para ficar em casa, mas estes últimos dias com todo aquele temporal me dei conta que é muito bom ser mãe e poder ficar em casa quando os filhos precisam.

Todos nós vimos a tragédia que as chuvas do RJ trouxeram para a cidade. É desesperador ver pais e mães aflitos porque não puderam salvar seus filhos e simplesmente porque não deu tempo... foi muito rápido. Eu imagino o terror que deve ser não conseguir salvar mesmo estando tão perto. Deus sempre vem na nossa cabeça e nos agarramos com o máximo de fé que podemos apesar de esquecermos desta fé no dia-a-dia.

Por várias vezes me desespero e choro por perceber que aos 34 anos ainda não consegui achar "meu lugar ao sol". Passa pela minha cabeça que estudei tanto, me especializei, tive ótimos trabalhos e hoje estou em casa tentando novamente me recolocar. O fato é que com esta tragédia das chuvas eu ontem agradeci a Deus por estar em casa e poder curtir meus filhos mais um pouco. Por poder olhar para eles e dizer calma que a chuva vai passar !

Eu sei que muitas vezes pedimos a Deus aquilo que queremos quando deveríamos pedir que Ele nos dê aquilo que precisamos mas muitas vezes não sabemos.

Deixo aqui meu pesar para todos aqueles que de alguma forma perderam seus parentes e hoje choram por não ter tido tempo de ficar um pouco mais perto e também aproveito para agradecer a Deus por ter permitido que eu ficasse em casa, apesar do sofrimento que isto me traz !


Obs.: Esta foto postada no meu blog foi encontrada no site http://extra.globo.com na parte em que fala do caos na cidade. A foto em questão foi publicada no Twitter por algum internauta que nos ajudou a entender o real alagamento do RJ !

Beijos e Boa Sorte à todos !

domingo, 28 de março de 2010

Gritar - Será que é necessário ??


Tomei uma decisão na minha vida ! Não grito mais com os meus filhos. Parece óbvio pois todo mundo fala sobre isso mas na hora da raiva, o controle é muito difícil. Por diversas vezes me vi gritando com eles para que parassem de gritar, mas que idiotice ! Como se manda parar de gritar aos gritos ??

O mínimo que as crianças devem pensar é que sou maluca. E para ser sincera, tem dias que me acho uma maluca mesmo. Em primeiro lugar meu dia começa as 8:30 da manhã e termina as 2 da madrugada. Pela manhã é uma correria, café da manhã, hora do banho, almoço (com a eterna guerra de fazer comer as 11:30 tendo tomado café às 9:30), arrumar para ir a escola, mochila, transporte e por aí vai. Só que isto é duplicado, então qualquer coisa que saia da programação como uma birra para tomar banho vira um pesadelo e lá estou eu aos berros ! À tarde eu vou para o curso ou tento estudar (estou tentando a sonhada vaga no funcionalismo público) e à noite a correria recomeça com janta, trabalho de casa, hora de dormir, louça na pia e por aí vai. Novamente quando o Alexandre resolve me perguntar em meio ao trabalho de matemática se pode jogar videogame, eu surto ! Neste mesmo tempo o Gabriel resolve pegar a borracha do irmão e sair correndo. Pronto ! Cenário perfeito para que eu comece a sessão gritaria.

Eu sempre me questiono depois, porque fiz isso. Será que eu não poderia ter contornado a situação de outra maneira ? E em todas as vezes chego a conclusão de que eu poderia sim ! Afinal eu sou a adulta, sou eu quem precisa impor os limites e não entrar no jogo e ser mais uma "criança" sem limites.

Enfim, vocês devem estar se perguntando porque eu decidi de repente mudar de atitude. Bom , foi na última quinta feira, véspera do teste de espanhol do Alexandre. Meu marido foi jogar bola (é claro ! afinal ele trabalha o dia inteiro, só me ouve "falar em comprar" além do que eu fico em casa "sem fazer nada", portanto ele precisa se distrair um pouco....) e o Alexandre precisava estudar. Ele chegou tarde da escola pois depende do transporte escolar. Em cinco minutos, "meu mundo caiu", assim que chegou ele implicou com o irmão, que por sua vez jogou todos os brinquedos no chão, e ainda jogou as meias da escola para o alto que foram parar no ventilador de teto e depois acertaram um vidro de remédio que estava na prateleira do armário (agora me dá vontade de rir, mas na hora.....)

SOS !!! Surtei e explodi ! Peguei o Alexandre pelos dois braços, sem bater, e o pressionei contra o armário gritando para que parasse de fazer besteira, que eu não aguentava mais, que eu iria embora, que isso não era vida para mim e etc... Ele chorava e olhava para mim com cara de apavorado. Só me dei conta quando o Gabriel gritou... estou com medo ! Neste exato momento eu comecei a chorar desesperadamente e percebi o que EU estava fazendo com aquelas crianças... descarregando todo o meu descontrole e frustração neles. Me coloquei no lugar deles... a parte mais fraca sendo obrigada a ouvir e ficar de boca calada e com medo do que poderia acontecer. Enfim.. eu era o monstro que eles temiam. Me senti andando no deserto sem rumo e completamente desorientada !

Pedi desculpas e jurei que nunca mais faria com que sentissem medo de mim. Conversei com o Alexandre, falei que estava muito errada mas que ele também tinha feito besteira mas que eu não precisava me descontrolar deste jeito. Ele me abraçou e disse que entendia sim e que me amava mesmo assim. Fiquei pensando o que significava para ele este "mesmo assim"... não tive coragem de perguntar.

Deste dia em diante prometi que não grito mais e fiz um acordo com ele... quando estivermos irritados vamos parar e respirar. Até hoje, 3 dias depois (igual ao programa para alcoolicos... mais 24 horas), tem dado certo. Quando ele me tira do sério eu saio de perto, bebo água e volto para conversar com ele. Ontem parecia que eu estava sendo testada... o Gabriel chorou e fez pirraça por tudo, até chorar porque "a massa do cachorro quente de forno estava triste", ele fez !!! rsrsrs. Simplesmente peguei um pouco da massa e dei para ele brincar de fazer massinha, ele colocou em um potinho para depois "assarmos" o pãozinho dele, quando ele enjoou da brincadeira e o chororô recomeçou, fomos ver a lua e as coisas melhoraram.

Pode não parecer nada mas para mim foi um grande passo pois, COM CERTEZA, em outro momento eu teria brigado, gritado e posto de castigo e eu consegui contornar a situação sem maiores problemas. Perecebi que o Alexandre se comportou de maneira mais calma ontem e hoje. Sinceramente, espero ter encontrado um jeito de ter os meus filhotes mais calmos e com isso, eu também !!

O que identifico como mais importante nisso, é a capacidade que tive de reconhecer que estou errada. E como dizia Chico Xavier... não podemos mudar o início mas todos nós podemos fazer um final diferente !! (não foi exatamente assim mas a ideia é essa !!!)

Beijos